Os suíços estão construindo um novo aeroporto. Na Ilha, convencionou-se falar assim sobre a obra do novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Florianópolis. A afirmação, óbvio, não está errada. Mas há outros milhares de construtores desta grandiosa infraestrutura, impulsionadora de desenvolvimento econômico e turístico da capital catarinense.

São 2,5 mil pessoas, a maioria delas nascidas no Nordeste do Brasil, que no período de 15 de janeiro de 2018 a 30 de setembro de 2019, estão envolvidas na construção, trabalhando diariamente - algumas de segunda a sábado - em diferentes atividades. Do ajudante geral manezinho, nascido na Tapera, ao mestre de toda a obra, que um dia já foi servente de pedreiro, todos carregarão para sempre a relevância histórica de ter erguido o novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Florianópolis. Considerado por muitos o acontecimento mais importante da década para o Estado catarinense, o novo terminal será operada por 30 anos pela Floripa Airport, subsidiária do grupo suíço Zurich Airport.  A inauguração da nova estrutura ocorre em 1° de outubro de 2019.

A série Retratos da Obra, que a Floripa Airport inicia hoje em seus canais de mídias sociais, é uma homenagem e um reconhecimento a estes fortes trabalhadores. Até setembro, a cada 15 dias, publicaremos fotos e um breve perfil de alguns desses brasileiros, representantes de funções chave da construção.

Aqui, no site da Floripa Airport, vamos ampliar a série, com ensaios fotográficos de cada um dos entrevistados:
 

Necival dos Santos, 32 anos, operador de betoneira

De Aracaju (Sergipe), pai de seis filhos (o mais novo com 9 meses e o mais velho com 16 anos), Necival dos Santos, 32 anos, já rodou o Brasil vendendo livros, “na época que não tinha internet e as pessoas gostavam de ter livros grandes, como dicionários e enciclopédias”.

A demanda cessou e com ela, o emprego de Necival. A construção civil foi a alternativa. Em Santa Catarina há 4 meses, ele trabalha virando cimento na betoneira e fazendo o contrapiso do novo terminal. Mora em São José (Grande Florianópolis) e estranha um pouco o clima do Sul do Brasil:

“Nunca é igual. Esquenta, esfria, venta, chove. Muda bastante o tempo durante o dia. Isso é bem diferente”, comenta.

Sua grande paixão? Futebol. O time do coração é o Confiança, de Sergipe, mas por aqui já foi a Ressacada ver o Avaí ganhar do Tubarão por 3 a 1. Funcionário da T.A. Empreiteira, quando terminar o serviço do novo terminal, deve seguir para Goiânia e encarar uma nova obra.  

Eraldo Reis, 28 anos, montador

Nosso trabalhador de hoje é Eraldo Reis, 28 anos, que instalou boa parte do que é um desejo antigo para o Aeroporto Internacional de Florianópolis. Ele faz parte da equipe que instala as estruturas de steel frame que compõem os 10 fingers do novo terminal (o atual terminal de Florianópolis não tem ponte de embarque).

“Eu trabalhei no Aeroporto de Confins, de Guarulhos e agora em Floripa. A gente se dá conta da importância do nosso trabalho, quando volta ao lugar. Recentemente, estive em Guarulhos, fiquei parado olhando aquele mundo de gente caminhando por ali e pensei: nossa, eu construí isso aqui. Essa sensação é muito legal”, comenta.

Eraldo está temporariamente morando no Campeche, como boa parte dos trabalhadores da obra. Faz parte de um dos muitos times de futebol dos funcionários e seu time do coração é o Flamengo - outra unanimidade entre os trabalhadores.

Diciano, 34 anos, técnico em segurança do trabalho

O lugar dele é o palco. O palco montado no primeiro piso do novo terminal, onde - religiosamente - às quartas-feiras pela manhã, ele sobe e fala para todos os funcionários da obra sobre cuidados e prevenção. Diciano Medeiros tem 34 anos e é 1 dos 24 técnicos em segurança do trabalho da obra do novo terminal de passageiros

Funcionário da Racional, construtora responsável pela obra, chegou a Florianópolis em novembro, vindo de Guararema no interior de São Paulo.

“Talvez eles me chamem de o chato da obra. Não me importa. De verdade, gosto de cuidar da integridade e da saúde das pessoas”.

João Arruda, 43 anos, marmorista

Quando você andar pelo novo terminal, pisará em grandes placas de granito - boa parte delas colocadas por João Arruda, 43 anos.

De Livramento, na Paraíba, João mora em São Paulo há 25 anos e é funcionário da empresa fornecedora do piso do novo terminal. Acostumado a viajar a trabalho, também foi um dos marmoristas da Arena do Grêmio, no Rio Grande do Sul. Como a maioria dos colegas da obra, é apaixonado por futebol e torcedor do Flamengo.

“Estamos organizando o churrasco do bico seco. Vamos jogar uma partida, e o time que perder não vai poder beber no churrasco” comenta.

Solteiro e pai de duas filhas, uma de 16 anos e outra de 2 anos, João gosta de dançar um bom forró, mas em Florianópolis ainda não teve oportunidade de sair para se divertir.

“A cidade é show de bola. A praia do Campeche é linda demais” conta.

Marcos Aurélio Nascimento Silva, 30 anos, montador de vidro

Marcos Aurélio Nascimento Silva é do time de montadores de vidro. A equipe chega a colocar 60 peças por dia.

Os vidros serão um diferencial no novo terminal, compondo a fachada e garantindo uma vista privilegiada do entorno. Com um sorrisão no rosto e muito bom humor, Marcos é do Piauí, mas mora em São Paulo há 19 anos. É apaixonado por cinema, e Pantera Negra é um dos filmes recentes que mais gostou de ver. Outra paixão é a música: sertanejo, rap e samba é sempre o som no fone de ouvido.

 Em Florianópolis de passagem, ele hospeda-se no Ribeirão da Ilha.

“Quero voltar para caminhar pelo terminal que ajudei a construir” comenta.

Ramon Lopes, 36 anos, engenheiro de produção

Ramon Lopes, 36 anos, é um dos engenheiros de produção da construção.

Na sua rotina, cuida do planejamento, controle e melhorias do projeto da obra. Já participou de grandes obras pelo Brasil afora, como por exemplo a hidrelétrica de Belo Monte. Em Florianópolis desde agosto de 2018, a cidade é uma descoberta pra ele:

“Nunca tinha vindo aqui. Nem sabia que era uma ilha. Mas a cidade é muito bonita, e a sensação de segurança é algo especial” comenta.

As fotos são de Ricardo Wolffenbüttel. Perfis, Cris Vieira.

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